Normalmente este seria o tipo de post que eu deixaria sem explicações, aberto para interpretação, mas vamos lá que preciso escrever.
O vídeo bonitinho é de um campeonato de dança para crianças famoso no Japão - quantas vírgulas eu deveria colocar nessa frase? Elas têm entre 8 e 10 anos e venceram o concurso com essa apresentação de ninjas. A pergunta é: vocês não acham que é muita pressão? Nessa idade eu me estressava até pra dançar quadrilha.
Propositalmente inverti a ordem dos vídeos para poupá-los da ansiedade. Eu não gostaria de ter assistido a apresentação ao vivo tendo acompanhado a seguinte preparação:
Infelizmente, a sociedade moderna tem feito das crianças, verdadeiros mini-adultos, onde as mesmas pressões, exigências e desafios têm se equiparados ao mesmo nível dos adultos.
ResponderExcluirInfelizmente, a infância tem-se perdido nessas últimas décadas. Uma criança de 9 anos já tem que estar mentalmente preparada para os desafios das imposições dos adultos (e boa parte da culpa é dos pais). A criança não tem mais tempo de aproveitar sua infância, tendo que estar inserida preocemente no mundo dos adultos.
Infelizmente, nossas crianças estão sendo exploradas demais, apesar das campanhas contra o trabalho infantil. Apresentações em palco são impostas a elas pelos próprios pais, com influência da mídia. Temos verdadeiros exemplos como a pequena Maísa do Silvio Santos. Nem preciso comentá-la né? Meninas cada vez mais cedo sendo impostas a desfilarem em passarelas de concursos de misses infantis... Meninos sendo ludibriados pela fama de serem jogadores de futebol... Que absurdo. Um menino de 11 anos daqui do Brasil já foi contratado para ser jogador do Real Madrid (eu acho) para ser base da categoria. 11 anos!!!!
A cultura oriental é muito rigorosa e, nesse ponto de vista, infelizmente, as crianças têm sido alvo mais frequente nessa sociedade maníaca de exigências. Elas ainda não tem capacidade de se impor perante aos adultos (óbvio). Por isso, são "massacradas" até o esgotamento. A exemplo do post da Andrea, essas crianças orientais (japonesas, chinesas, coreanas...) na apresentação é tudo maravilha, mas por trás disso está uma vida imposta pelos pais, onde elas não tem onde se queixarem.
Infelizmente, estamos voltando ao tempo da Idade Média, onde a criança já tinha que aprender a sofrer as consequencias de uma guerra... e essa guerra, atualmente, está na ganância de status e glamour dos adultos, que lucram em cima das crianças...
Paremos para refletir o que nossos atos têm feito às nossas crianças. Para que toda essas apresentações em cima delas? Para que os adultos e seus pais fiquem com todo glamour e riqueza ganha em cima delas? Isso é exploração infantil!!!!!
Morei no Japão e sei como elas têm vivido essa pressão. O indice de suicidios entre as criancas e adolescentes por lá têm aumentado assustadoramente... Desculpem-me pelo comentário longo. Tinha que desabafar sobre isso...
Nossa, é assustador essa pressão. Eu vejo isso na escola. Ano passado tinha uma mãe que queria porque queria que o filho escrevesse o nome todo com letra cursiva, tenho apenas 4 anos. Tem cada, pai, que eu vou te contar, não respeita o ritmo da criança, tornando-a assim desistimulada... Isso me entristece. Com criança, a Máxima do 'cada um tem seu tempo' é verdadeira. E para pressões, nem adultos tem esse tempo para amadurecer o suficiente e lidar com algumas dessas pressões. Que dirá as crianças...
ResponderExcluirCrianças precisam de disciplina e segurança. Precisam ser educadas em todos os setores. Desafios são saudáveis. Mas nenhum exagero é bom.
ResponderExcluirVou mais na linha do comentário da Nerd dos Infernos: o problema está no exagero.
ResponderExcluirEstá na moda culpar os pais, os professores, os adultos próximos, e embora eu não duvide que haja bastante gente despejando sua neurose por glamour nos filhos, não acho que seja sempre o caso.
Muitas crianças se envolvem por vontade própria nessas atividades, e a pressão nem sempre é no sentido de "você tem que fazer isso". Mesmo no vídeo do post, escutei a mãe da Mayu-chan falando algo como “yamete oku?”.
Falo isso porque fiz judô quando era criança, e não conseguia sequer dormir nas noites que antecediam campeonatos, porque precisava ganhar de qualquer jeito. Tinha quedas de pressão, dor de estômago, mas queria participar de qualquer forma, e não aceitava prata.
Minha família não era particularmente favorável ao judô (motivos religiosos) e os senseis nunca disseram nada como "só a vitória importa". Acho que faz parte do imaginário infantil essa fantasia de que só seremos amados se formos os melhores, e pra mim é aí que entra a responsabilidade da mídia, da sociedade e, em última instância, dos pais.
Poderia falar de como a idéia de competição tem se espalhado na sociedade, em todos os setores da vida, como forma suprema de fazer "aflorar o melhor das pessoas", ou do papel da mídia na definição de um certo conceito de sucesso, mas quero falar do papel dos pais. Acho que o principal aqui é saber distinguir quando a pressão, os desafios fazem mais mal do que bem à pessoa (e não acredito que isso ocorra sempre, nem com todo mundo) para interferir no sentido de mostrar que a pessoa deve se esforçar para ser o melhor que pode ser, e não o melhor em relação ao que os outros acham ou fazem – em qualquer atividade com que se envolva.
BTW, essas menininhas são incríveis! Não só no nível de dificuldade da coreografia, mas na sincronia e na intensidade que colocam em cada passo. Tenho assistido competições americanas de de adultos e a maioria não chega nem no chinelinho delas XD~
ResponderExcluirDisciplina e respeito é essencial para educação em qualquer criança. Isso eu não nego de jeito algum.
ResponderExcluirSe a criança quer treinar judô, dança, natação... tem que fazer a vontade dela. Talvez meu comentário tenha gerado distorções.
Concordo com a Nerd do Inferno e co a Chise.
Só que o que eu via na mídia japonesa era de uma forma que a sociedade parecia estar cobrando em demasia algumas crianças de lá. Claro que não é regra geral. As escolas japonesas estão entre as melhores do mundo em termos de educação. Na TV, as crianças estão alegres, felizes com suas performances e seus trabalhos... mas a gente sabe da rigidez da cobrança na sociedade oriental (entre adultos e crianças)
Por isso, polêmicas a parte, só queria deixar meu ponto de vista com relação a EXAGEROS!!!!!!!!!!!
Amplexos a todos
Nossa, fiquei impressionada com a garra dessas menininhas! o.O Ainda mais por terem executado com perfeição na hora H!
ResponderExcluirMas eu assistiria a apresentação e ficaria torcendo muito por elas.
O fato é que tem certos tipos de atividades que se não começar desde pequeno não dá muito certo. Gisnástica olímpica, balé, acrobacias, por exemplo. Difícil aprender um salto mortal depois de adulto.
Já a pressão sempre existe numa competição, se não for externa, é interna.
O que eu realmente não sou a favor é da exploração infantil, tudo tem limite... Segurança (física e mental) acima de tudo.
É muito difícil encontrar o ponto certo da dedicação e, no caso dos pais, chefes e professores, da pressão. Mas vocês não acham que no Brasil a gente peca por ter (e ensinar às crianças) muito pouca disciplina?
ResponderExcluirCostumo dizer que educar filho é como andar em fio de navalha, é impossível fazer tudo certo, ter equilíbrio em tudo. Na verdade a gente sempre erra em tudo, nem que seja um pouquinho. Mas isso não é motivo pra ficar neurótico. A nossa psico diz que esses erros fazem parte da nossa 'marca' que a gente deixa nos filhos.
ResponderExcluirEu também sempre tive (e continuo tendo) verdadeiro pavor de me apresentar em público. Mas já fui obrigado a fazer 'apresentações', e consegui fazer direitinho.
Quem assistiu os desenhos da Sakura, quando ela teve de apresentar uma peça de teatro para a cidade toda? Eu acho que teria um ataque cardíaco se tivesse de fazer aquilo, e morreria no palco. Enquanto assistia, ficava pensando como as coisas lá são diferentes.
Apesar de ser contra o excesso de cobrança sobre as crianças, acho que não cobrar também é um erro. Muitas sociedades como a nipônica e a americana valorizam muito a competitividade, e cobram o sucesso. No Japão, o resultado a gente conhece, gera muitos gênios, mas também muitos loucos.
No Brasil eu acho que é o inverso, existe até uma cultura encoberta pelo fracasso. Nós estamos do outro lado do fio da navalha. Alguém já ouviu da "raça" dos argentinos no futebol? E da falta dela nos brasileiros?
Sempre que se cobra muito de alguém, corre-se o risco da pessoa espanar. Mas a gente sempre consegue fazer mais do que a gente ACHA que consegue, e só se atinge patamares superiores com empenho e cobrança. Tenho certeza de que as meninas que ganharam acharam que o sacrifício valeu a pena. Mas e os outros que também se sacrificaram, e perderam?
Eu disse que era um fio de navalha...
Eu fiquei com bastante nervoso do treinamento das meninas.
ResponderExcluirE concordo que no Japão já passaram dos limites há muito tempo. Não só no Japão. No terceiro ano científico, o meu irmão tinha um amigo chinês que era bom aluno. E esse chinesinho cometeu suicício porque não se achava bom o suficiente. Faz parte da cultura oriental a cobrança irreal, não só por parte da sociedade, mas por parte do próprio indivíduo.
E também há uma grande imaturidade emocional, pois a forma corrente de se lidar com o fracasso é a "desistência de existir".
Acho que mais do que a obsessão pelo sucesso, o problema está na incapacidade de se lidar com o "fracasso" (porque muitas e muitas vezes, a pessoa "fracassada" se superou e se tornou melhor, mas nunca vai perceber isso).
Eu concordo com todos os comentários, mas eu vou frisar o da Beta: no Brasil não existe disciplina. É impressionante. E isso porque estamos em São Paulo, que é o estado mais disciplinado. Hahahahahahaha!
Disciplina e limite são fundamentais para construirmos o paraíso na Terra. E devem ser ensinados de uma forma leve, sem essa aridez e esse peso que lhes são incutidos.
(Muito bom esse post!! Mexeu com a galera!!)
O esforço é o único caminho pra se chegar onde se deseja. Mas isso daí é insano!
ResponderExcluirFazer pressão com palavras doces também é fazer pressão. Sou mais a estratégia do Bernardinho.
E essa questão da diferença de disciplina entre o Brasil e os outros países, eu estou vendo de maneira análoga por aqui... :S É muita diferença para o que eu estou acostumado.